Quanto tempo leva pra fazer uma escolha profissional?

Não é a toa que os testes vocacionais são procurados. A maioria deles promete uma resposta rápida, objetiva e indolor.


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A forma como vivemos a PASSAGEM DO TEMPO mudou.

Hoje em dia, a adolescência começa mais cedo e pode até terminar mais tarde. A juventude, que é vista como o tempo de produtividade, de energia e beleza do corpo, se tornou um bem super precioso, e a sociedade diz pra gente tentar eternizar ela a todo custo.

Além disso, a velocidade que a tecnologia trouxe fez a gente acreditar que a informação deve ser sempre instantânea ("é pra já") e "esperar" virou um verbo desconhecido. O resultado pode ser entendido assim: queremos ser sempre jovens e viver esta juventude sem nunca termos que esperar.


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Não é a toa que os testes vocacionais são procurados. A maioria deles promete uma resposta rápida, objetiva e indolor para quem precisa fazer uma escolha profissional (só não dá para ser totalmente indolor porque fazer uma escolha ainda exige abrirmos mão de alguma coisa, porque quando escolhemos um caminho profissional, abrimos mão de outros).

Mas o cálculo é simples... Em uma sociedade que não dá lugar para a espera e para o devagar, em que a juventude tem que ser vivida sem desperdício e hesitação, quando perguntam qual vai ser nosso caminho profissional, a gente acredita que a resposta tem que seguir o mesmo ritmo: tem que estar na ponta da língua, não podemos perder tempo com reflexões! É grande a pressa em resolver que caminho tomar. Os jovens, as famílias e as escolas querem uma resposta pra ontem.

O problema de acostumarmos a viver com essa velocidade rápida das respostas é o que fazer quando a resposta não vem na nossa mente. Ou quando ela leva um tempo. É impensável! Uma angústia enorme! Talvez até maior do que o sofrimento do ser humano de ter que esperar coisas no passado, antes de conhecermos a velocidade da tecnologia. A frustração não vem mais de uma escolha insatisfatória ou duvidosa, vem antes, no simples fato de ainda não termos escolhido.

Mas vamos imaginar que seja possível fazermos uma escolha profissional nessa velocidade ideal da atualidade... Vamos lembrar também que várias carreiras já funcionam nesse mesmo ritmo, principalmente as que são mais ligadas à tecnologia.... E aí vamos imaginar um jovem que se decide rapidamente, faz um curso e entra no mercado de trabalho, mas infelizmente não dá a sorte de se encaixar em uma carreira dessas (que estão alinhadas com a rápida velocidade).

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Como fazer, então, para lidar com a demora ainda presente na maioria das atividades profissionais, que dependem do funcionamento humano ou são burocráticas?

A verdade é que as coisas rápidas tem enganado muita gente. Sabe por quê?

A escolha profissional quase nunca é rápida.
A adaptação ao Ensino Superior quase nunca é rápida.
O ingresso no mercado de trabalho quase nunca é rápido.
O resultado desejado no cotidiano profissional quase nunca é rápido.

E tem sido muito doloroso para os jovens descobrirem isso, principalmente por não estarem muito em contato com aquele sentimento chamado frustração. Mas será que isso é coisa de jovem?

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Faça esse exercício... Observe crianças viajando com suas famílias de carro. Elas não ficam mais se distraindo com os desenhos nas nuvens do céu, ficam vendo filmes no tablet pra não terem que ver a viagem. Observe também adultos que saem pra fazer uma caminhada. Eles não ficam mais ouvindo os próprios pensamentos, vão ouvindo algum podcast que é pra não perder tempo. 

E então? A dificuldade de suportar a espera é uma questão de geração (jovens) ou uma questão de época (todo mundo que vive no século 21)? Parece ser a segunda opção, hein?

Por isso, quando a gente vai ajudar jovens (e até mesmo pessoas mais velhas) a fazerem escolhas profissionais vem o desafio de explicar: Queridx, pra poder escolher, você vai ter que pensar, e pra pensar, a gente precisa de tempo. Pode até parecer que estamos nadando contra a corrente, mas estamos é comprometidos a te fortalecer. Porque, acredite, no mundo lá fora, muitas coisas ainda levam tempo.

Fazer uma escolha profissional é igual aos desafios de desenho rápido do Youtube, já viu? O participante do desafio tem que desenhar um personagem em muitos minutos, depois em poucos minutos, depois em poucos segundos. O resultado é óbvio: o primeiro desenho (que leva tempo) fica ótimo, e os seguintes vão virando só rascunhos. Não dá tempo de colorir direito, e às vezes nem de desenhar. 

Pra gente saber qual é o caminho que vai nos fazer felizes de verdade, precisamos de TEMPO pra amadurecer as ideias. É por isso que fazer um teste vocacional de Internet não faz muito sentido quando estamos escolhendo um curso. Nem copiar a trajetória de alguém faz sentido quando estamos planejando nossa carreira. Se você correr, seu desenho pode ser só um rascunho - enquanto poderia ser uma obra-prima. 

Se você quiser ajuda pra fazer uma boa escolha profissional e começar a sua obra-prima, clique aqui.






Texto por:

Psicóloga Isis Graziele


Isis Graziele da Silva | CRP 06/142189

Psicóloga e orientadora profissional. Escolheu psicologia porque queria desvendar crimes. Mestre em Psicologia, especialista em Psicologia Jurídica. Tem experiência em consultório e cursinho pré-vestibular. Co-autora de "Pré-vestibular: práticas para psicólogos" e autora de "Porque fazemos selfies".

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